Origens na Índias.
A província de Kerala, a sudoeste da Índia, era pródiga em artes marciais, Lá, podemos destacar duas das mais tradicionais escolas marciais: o Kalarippayattu e o Varma Adi. É dito que o Vajramushti está atualmente incorporado ao kalarippayattu na seção técnica de mãos livres (verumaki); ambas dando importância e ênfase ao estudo dos pontos vitais, possuindo técnicas em que nada se assemelha aos livros encontrado no Brasil. As técnicas com pontos vitais, chamada em sânscrito, Marma Vidya, são ensinadas desde a Primeira aula, em situações de perigo, e o que mais chama a atenção é a utilização de pontos vitais entoando mantras. A sistematização se deu por volta do século II com um livro médico escrito pelo erudito Susrata. Este clássico apresenta 107 pontos vitais a serem utilizados em tratamento médico ou aplicações marciais (essas aplicações marciais eram denominadas de Prayogam), inclusive o toque da morte já estava escrito neste livro, dividido em Sadyah-Pranahara (morte em um dia) eKalantra-ranahara (morte em 14 dias à um mês). Os pontos vitais indianos são localizados com base em uma unidade medida denominada angulam, que equivale à um dedo de largura do dedo do praticante.
Pontos vitais na China:
A China é o ponto de divulgação das técnicas de pontos vitais para toda a Ásia. Os pontos vitais tiveram suas raízes lançadas pelo livro do Imperador amarelo (Nei Ching Soou En). Essa obra é muito consultada até os dias atuais. Na China, as técnicas de pontos vitais são chamadas de Dim Hsueh (acertar cavidades) que se dividem em Shen Ching Ta (pontos físicos – ossos, músculos, artérias e nervos) e Ch´i Kung Chuan (pontos energéticos).
Pontos vitais no Japão:
As técnicas de pontos vitais chegaram no Japão junto com a cultura chinesa e as artes marciais. Seu sistema de pontos vitais foi aperfeiçoado de modo a ser moldado pela cultura japonesa. Sua maior utilização foi na acupuntura e em suas artes marciais mais conhecidas: Kenjutsu, Jujutsu e Ninjutsu. Acreditava-se que Myamoto Musashi, o maior dos samurais japoneses, utilizava-se de técnicas de pontos vitais em seus combates. É sabido que a partir de uma determinada época em sua vida, Musashi realizava seus combates apenas munido de um Bokken. Sem tais conhecimentos, essa arma não seria eficiente. As técnicas de pontos vitais, em japonês, são conhecidas como Kyusho. Atemi são apenas golpes traumáticos (Ate=Ateru=Golpear; Mi=Corpo), sejam eles dados em pontos vitais ou não. Não se conhece estudos didáticos sobre pontos vitais sob a ótica nipônica (ao menos escritos em línguas ocidentais).
Pontos vitais na Coréia:
As técnicas de pontos vitais da Coréia são de grande importância. Quase todas as artes marciais coreanas possuem grande preocupação com eficiência e com o estudo de energia interior, pois muitas de suas raízes se prendem ao Bulkyo-Um-Sool, arte marcial dos monges budistas. O Hapkido, Hwarang Do, Han Um Do, Tang Soo Do e o Tae Kwon Do original, possuem grande preocupação com os pontos vitais, sendo parte integrante de seu estudo. As histórias contadas sobre a elite marcial coreana, os Hwarang Do bem como seu treinamento árduo, incluía medicina, fazem supor que eles possuíam grande conhecimento em técnicas de pontos vitais, Como eles foram de grandes influências para a cultura coreana e em geral para as artes marciais, é de se supor que esse conhecimento tenha se difundido até os dias de hoje. Na Coréia, as técnicas de pontos vitais são chamadas de Keupso.
Classificação de pontos vitais: Este trabalho é dividido em quatro partes:
Ósseos: são pontos relacionados com a estrutura óssea. Existem muitos pontos do esqueleto que servem a este propósito: Destes, destacamos as articulações, costela flutuante e coluna vertebral.
Musculares: as partes centrais de qualquer grupo muscular é um em alvo potencial, assim como os interstícios entre eles.
Nervosos: os nervos são excelentes elementos para aplicação de pontos vitais devido a sua sensibilidade e rapidez de reação. A grande quantidade de nervos espalhados pelo corpo torna-se um alvo fácil.
Energético: são os pontos da acupuntura (os meridianos). É a técnica mais sutil e difícil de ser dominada devido à enorme quantidade de pontos existentes. Existem mais de 2000 pontos com as diversas reações que ele pode resultar. Derivada desta técnica, vem o que é conhecido como Toque da Morte (Dim Mak). A grande dificuldade desta técnica é que quem a utiliza precisa dominar com maestria todos os tipos de energia, para assim, saber como, quando e em que ponto a aplicas.
Método de golpe: Como a própria essência das técnicas com pontos vitais e obtenção da máxima eficiência em combate, devemos estudar todos os detalhes.
Eficiência: Para ser mais eficiente, o golpe deve ser executado da maneira correta no tempo devido para, com isso, acertar o alvo adequado com maior velocidade. A concentração e o relaxamento são partes essenciais para uma boa execução do golpe.
Maneira Correta: o tipo de ataque, utilização do horário do ponto, profundidade, tipo de energia, relaxamento, pressão, concentração etc.
Tempo devido: “o tempo”; “a abertura”, na qual a defesa está exposta e o ponto visado vulnerável é sempre muito pequeno. Por este fato, é primordial ter uma boa técnica, velocidade e timing correto para obter a maior eficiência.
Alvo adequado: o ponto escolhido deve ser o mais correto para esta finalidade que desejamos de acordo com o seu efeito. Deve observar-se que existem uma variedade imensa de pontos com efeitos similares. Compete ao executor da técnica saber, entre estes, qual deverá ser utilizado.
Ângulo de ataque: cada técnica possui o seu próprio ângulo ideal de utilização, que depende do ponto propriamente dito e do efeito que se deseja. Cada efeito e ponto corresponde a um ângulo adequado.
Técnicas de impacto e pressão: a técnica deve ser executada de maneira correta a fim que o seu efeito seja o desejado, em sua máxima amplitude, utilizando-se a mínima força com a técnica correta para o efeito desejado.
Golpes invisíveis: Como as técnicas de pontos vitais se baseiam em estratégias, sutilezas e no mínimo de esforço, elas não são geralmente vistas; não só por quem recebe o golpe, mas por todos que estão ao redor observando o combate. A facilidade com o que o golpe passa desapercebido criou várias lendas sobre poderes sobre humanos e superiores em mestres que dominam esta técnica. Os ninjas se utilizaram exaustivamente desta técnica.
Toque da morte: Como o nome sugere basta pressionar certos pontos nas horas certa com a pressão e velocidade certa para provocar disfunção do órgão correspondente (pressão = força, energia = relaxamento muscular, precisão = foco e concentração, velocidade = potência). Esta técnica e muito difícil de ser aplicada em combate pois os dois estão em movimento, requer muito treino talvez a vida toda para se conseguir. Requer muita concentração e acertar o ponto certo e a hora certa conforme o relógio cósmico e biológico.
Atemi: O golpe que atinge o ponto vital; O atemi é um golpe de impacto dado por uma das armas naturais do corpo humano. A diferença entre golpe comum e um atemi está na percussão que o atemi causa num ponto preciso, por atingi-lo de maneira inesperada e por ser um tipo de golpe que se distingue claramente. Um atemi bem dado traz como consequência, conforme o ponto atingido, paralisia momentânea, desmaio ou morte
Técnica do atemi: O atemi é um golpe muito rápido, breve e penetrante. Os golpes pesados baseados na força bruta podem abalar, atordoar, mas nunca terão a eficiência de um atemi. Bem dado, o atemi deve acontecer e passar desapercebido, isto é, um espectador vê o adversário cair, mas não compreende o que se passou: o braço ou perna que deferiu o golpe deve retornar tão rapidamente à posição inicial quanta a havia deixado para atingir o alvo.
O atemi é dado em distância curta: O golpe parte como pretendendo transpassar o alvo.
Por exemplo, um atemi com a mão em faca no pescoço do adversário é dado como na ação de um sabre com a intenção de decapitar: um atemi no plexo solar visa um ponto situado mais fundo, no interior no corpo, como se o alvo estivesse 10cm mais longe. Essa característica é um dos fatores responsáveis pelo terrível poder de percussão do atemi. Se visamos um ponto precioso, nossa atenção se concentra naquele local, nossa mente aprecia ou calcula a distância e libera energia necessária para percorrer essa distância. Quando visamos transpassar o alvo nossa mente não freia o golpe no momento de atingir a resistência, o que o torna mais penetrante, mais rápido e mais devastador. O atemi tem também a característica de ser um golpe dado em descontração: o membro contraído não permite velocidade ao golpe. Finalmente, no atemi, toda a força deve se concentrar na extremidade que irá golpear, como a pedra no estilingue. O treino faz com que o atemi seja dado de maneira instantânea, reflexa, sem solavanco. O golpe é essencialmente reto: para atingir o alvo, o caminho mais curto é um a linha reta.
Como age o atemi: Existem no ser humano dois grandes processos cerebrais: o estado de excitação e o de inibição: estes dois estados condicionam toda atividade mental e física. Verdadeira central eletrônica, o cérebro recebe, em estado de repouso, milhares de mensagens que chegam do interior e do exterior. Ele tem que interpretá-las, classificá-las, analisá-las tudo se passa a despeito da nossa vontade, por vias reflexas, sem intervenção do “eu”. Assim, a cada instante, o cérebro regula nossa atividade, suprindo carências, podando excessos, restabelecendo o equilíbrio, regulamentando nossas necessidades. Mas, de repente, uma mensagem atravessa o limiar da consciência, o “eu” desperta e um processo de excitação tem início: as demais mensagens ficam inibidas, ligações se estabelecem e correntes de onda elétricas vão e vem através dos nervos e dos membros para dirigir nossos atos. A eficácia do cérebro depende de seu poder de seleção: se ele reponde de uma só vês a todas as excitações recebida, seria a anarquia. Como se, num cruzamento quadrilátero, o semáforo estiver aberto para todos os lados. E então que entra em jogo o segundo processo, o da inibição, que vem frear as mensagens secundárias. Quando é empreendida uma ação, existe entre a parte do corpo que age e o cérebro uma corrente continua de ondas elétricas que dinamizam os nervos e os músculos. Todas as outras vias de acesso ao cérebro ficam bloqueadas com tanta mais intensidade quanto mais intensa for a ação empreendida. Se ocorrer um atemi num instante desses ele se chocara com portas fechadas e seu efeito será reduzido. Por outro lado, quando um atem entra no momento oportuno, isto é, entre duas ações, a via está livre e ele provoca uma reação de parada ao nível do sistema nervoso.
Breve histórico: Estima-se que a origem do atewaza, ou arte de atacar os pontos vitais, remonte a uma época muito antiga, no Japão, provavelmente cerca de 25 anos antes de cristo.
Essa época corresponde, na história japonesa, ao início da arte de luta.
Conta-se, a esse propósito, a história ou lenda de um certo Kehaya, de Taema, particularmente orgulhoso de sua força muscular. Para colocá-lo a prova, fizeram-no lutar no palácio imperial, no ano 23 antes de cristo, com Sumuné, famoso lutador de Nomi. Este último ganhou a competição matando o oponente com um único golpe. Como um ponto vital havia sido atingido, o atawaza pode ter começado nesse confronto. E mais verossímil, porem que o atewaza tenha nascido no templo chinês Shorinji onde os monges estudavam seriamente a arte do punho, na qual eram mestres, verdadeiros técnicos do atewesa, famosos e admirados pelo domínio e eficácia de seus golpes (com a mão em faca seriam capazes de fraturar um osso). Seja como for, e a partir do início do século XVII que essa “arte marcial” passou a ser ensinada no Japão como parte integrante do ju jutsu (do qual mais tarde derivaria o judô). O atewaza era ensinado em dojos especialmente preparados par isso, merecendo então um favor todo especial. É bom lembrar que o Japão feudal foi, durante cerca de 3 séculos, particularmente guerreiro. Entretanto, mesmo outrora, considerado a justo título como perigoso, o atewaza não era ensinado qualquer um que surgisse e o mestre dava particular importância à escolha de seus alunos, dentre os quais só um número muito restrito era completamente instruído na arte.
Contundência de arma empregada: Quanto mais dura for a superfície de impacto, mais penetrante serão golpe. É por isso que os atemis de mãos, cotovelos e pés só tornam eficiente após um treinamento de longa duração no makiwara e no sunatawara
Velocidade: O poder de um atemi tem muito a ver com a velocidade com que e deferido: está em função direta da velocidade de percussão e em razão inversa da superfície penetrante (em razão direta significa que quanto maior velocidade, maior poder: em razão inversa significa que quanto maior a superfície de contato menor poder).
Superfície de impacto: Examinado um punho fechado, percebemos que a superfície de impacto apresenta mais ou menos a forma de um retângulo de 5 por 4 cm, ou seja, 20 cm 2. Se for dado um golpe com esse punho e depois outro golpe. Desta vez com punho formando com o dedo médio proeminente de modo que a superfície de impacto se restrinja a 2a articulação desse dedo, esse último golpe será mais penetrante (no primeiro golpe tínhamos uma superfície de impacto de 20 cm a, portanto de penetração 20 vezes reduzida). Trata-se do mesmo princípio pelo qual um prego penetra na madeira. Com os atemis dados com a mão em faca acontece à mesma coisa: toda a força do braço, no momento do golpe, se concentra em uma área de 5 cm 2.
Referencial Marcial
Ritmo: Definição clássica: “ritmo é uma qualidade essencial do comportamento humano, contribuindo para os movimentos ordenados, proporcionais, simétricos e harmônicos”.(Tubino, 1973) ainda, segundo Platão: ritmo é a coordenação do movimento. O ritmo é uma valência que, quando aplicada a coordenação, consegue uma maior eficácia nos movimentos, atingindo um maior grau de habilidade neste movimento, então, ritmo pode ser definido como: definição pessoal: “ritmo é a capacidade de ordenar os movimentos para, junto com a coordenação, buscar um melhor aproveitamento no movimento proposto”.
Velocidade: Definição clássica: “velocidade é a capacidade, com base na mobilidade dos processos do sistema neuromuscular e da capacidade de desenvolvimento da força muscular, de completar ações motoras, sob determinadas condições, no menor tempo”. (Frey, 1977). Podemos dizer que existem os 3 seguintes principais tipos de velocidade: ” velocidade de reação – que é a velocidade com o qual um indivíduo é capaz de responder a um estímulo. (Tubino, 1985) ” velocidade de deslocamento – capacidade máxima de deslocar-se de um ponto para outro (Tubino, 1985) ” velocidade de contração muscular – velocidade de produzir a contração de um músculo ou de um determinado grupamento muscular, havendo movimento aparente ou não. (Adaptado de Werneck, 1989 e Tubino, 1985). Então, podemos concluir que a velocidade irá depender de um somatório destes três fatores. Podemos concluir este somatório irá variar de acordo com a especificidade do movimento proposto. Ou seja: definição pessoal: “a velocidade irá variar de acordo com o conjunto das seguintes valências: grau da capacidade de reação a um estímulo, velocidade de deslocamento e velocidade de contração muscular – de acordo com o movimento proposto.”
Conclusão: a partir do estudo realizado em cima de condicionamento neuromuscular e das seguintes valências físicas: força, velocidade, ritmo e coordenação, pode-se concluir que:
- As valências físicas estão completamente interligadas, para atingir um alto grau em uma delas, faz-se necessário que haja uma assimilação das outras.
- As valências físicas possuem uma especificidade bastante elevada, como se pode observar, quanto mais alta o grau atingido em uma determinada valência, mais especifico será o resultado em cima dela, muitas vezes não valendo para o geral. Por ex: um ginasta tem de ter um alto nível de coordenação e ritmo, mas estes só serão válidos para o treinamento que ele está fazendo. Logo, podemos concluir em linhas finais que para uma melhora no treinamento, deve sempre visar o equilíbrio das valências físicas, aplicas no treinamento objetivado.
Calejamento: causas e efeitos: O calejamento ocasiona várias micro fraturas ósseas; estas sendo o motivo das dores causadas pelo calejamento. Após alguns dias, o punho (o punho está sendo utilizado como exemplo, mas poderia ser canela, cotovelo, joelho, etc.) para de doer, voltando ao normal, com a sensação de ter o punho mais forte e resistente a dor. Este fenômeno é causado pela calcificação óssea. O problema é que, nas partes onde há cartilagem, esta sendo a responsável pela movimentação das articulações, pode tornar o processo irreversível porque a perda da cartilagem implica na perda dos movimentos das articulações. Isto significa que ao decorrer da idade, a pessoa irá ficar debilitada de vários movimentos.
Será que vale a pena? Nosso próprio organismo produz algumas bactérias que se encarregam de tornar o osso livre das ondulações provocadas pelo calejamento. Ou seja, naturalmente, o nosso organismo rejeita os efeitos do calejamento que, após algum tempo, é completamente PERDIDO, havendo sempre a necessidade de fazer mais calejamento. Caso, por algum motivo, seja necessário a realização de um calejamento, este deverá ser supervisionado por uma pessoa idônea e com bastante experiência no assunto. E mesmo assim, quem desejar fazer, tem que saber avaliar os prós e contras deste ato, porque, se for utilizado a um longo prazo, têm efeitos irreversíveis.




































