Esta trilogia básica que aparece no ensinamento da espiritualidade e das artes marciais e que tem relação com alguma das leis universais.
Está intimamente vinculada aos três princípios (cabeça-coração-ventre) explicado nos links anteriores, mas presta especial atenção à inter-relação dinâmica existente entre as três e descreve a natureza do processo criativo, presente em todas as manifestações de vida, desde um simples movimento até aos afrescos da capela sixtina. O corpo, a respiração e a mente são três tipos diferentes de energia que coexistem tanto na pessoa, como no universo. O corpo relaciona-se com o princípio do ventre e seu centro é o hara, a zona que rodeia o “ponto”. É uma forma física, uma substancia, uma sensação, a verdadeira estrutura física do nosso corpo ou de qualquer outro objeto. Inclui também o “corpo sutil”, que é uma espécie de condensação de nossas ações e atitudes passadas, e que rodeia nosso corpo e penetra nele como se fosse um campo de energia cristalizado e restritivo. A restrição está vinculada ao princípio do coração. Temos que ter em conta duas coisas. Em primeiro lugar, cada princípio, tal como se manifesta no corpo da pessoa, contem em seu interior os outros dois. Assim, a zona pélvica não é domínio exclusivo do princípio do ventre, nem a zona peitoral pertence exclusivamente ao princípio do coração.
Em segundo lugar, no princípio do coração existem dois níveis diferentes.
A um nível superficial, pode considera-se como um terceiro princípio, situado entre os outros dos: pensamento-emoção-sensação, ou mente-respiração-corpo. Mas a um nível mais profundo, o coração transcende e abarca os outros dois, da mesma forma que o ritmo inclui tanto o latido como a pausa do cão, da mesma forma que a intuição compreende o pensamento, a emoção e a sensação. O coração, no sentido mais restrito, relaciona-se com a garganta e com o plexo solar; num sentido mais profundo, com a própria zona do coração. Assim, a respiração refere-se especialmente a garganta. Inclui a respiração física, mas também inclui as emoções que estão estritamente relacionadas com a respiração. Este nível tem uma natureza dinâmica e móvel que se contrapõem à rigidez do nível correspondente ao do corpo. É animado, móvel e ativo e sempre cria muitos vínculos: é a energia da atração ou repulsão, o fluir das emoções. O nível da energia mental é o mais sutil e não é físico; constitui a essência. É o nível da consciência pura, do entendimento, da escolha e da intenção. Está relacionado, como é lógico, com o princípio da cabeça e seu centro encontra-se na “terceira visão” ou parte superior da cabeça. O pensamento, tal como o experimentamos, é na realidade um sintoma da contração ou congestão que tem lugar neste nível de energia. Quanto não sofre limitações é sutil, aberto e intemporal; é a consciência e a intenção clara, e faz com que se desfaça a diferença a diferença existente entre o “observador” e o “objeto observado”.
Entre estes três níveis de energia (corpo, respiração, mente) existe sempre uma interação dinâmica; e par que a saúde seja boa, faz falta manter o equilíbrio entre eles. Este equilíbrio e está integração têm seu centro na zona do coração e corresponde (conforme se referiu antes) ao princípio do coração no sentido mais amplo. Para entender com se utilizam estes níveis inter-relacionados na pratica, pode estabelecer-se uma analogia. O corpo é material e sólido, como as rochas. A respiração é como água fluida e poderosa; a mente é como o ar, penetrante e aberta. Na filosofia ocidental, considera-se que a mente e a matéria (ou corpo) são os dois aspectos mais importantes da realidade, mas torna-se difícil resolver o problema mente e corpo. Como é possível que a mente, uma entidade tão etérea e abstrata, provoque o movimento da algo tão sólido e tangível como o corpo físico? No lugar onde deveria se encontrar o vínculo, abre-se um insondável abismo que aparece separar dois universos. Como pode um vento suave mover as sólidas rochas? A resposta lógica é: tentando com todas as forças; daqui se deriva toda a doutrina do esforço: se não se consegue a primeira vez, tenta-se de novo. Fica implícito que há que tentar com mais empenho do quem da primeira da primeira vez e que o esforço deverá ser maior. Do que não se fala é de qual seria o caminho para resolver este problema. Um treinador de atletismo levou a efeito uma experiência que tem muito a ver com esta atitude: pediu aos atletas por ele treinados que fizessem um esforço bem intenso numa corrida de uma milha e registrou o tempo de cada um deles, pouco depois, pediu-lhes que realizassem a mesma corrida num ritmo de setenta e cinco por cento de suas possibilidades. Curiosamente, todos melhoraram suas marcas na segunda vez: O enfoque oriental começa não assumindo a existência de uma divisão entre a mente e o corpo; adota, porém, a atitude de considerar o universo como um todo. Dentro deste todo, podem distinguir -se diferentes aspectos, do mesmo modo que qualquer forma complexa apresenta aspectos diferentes se for observada de diferentes perspectivas. Os principais aspectos diferentes são o corpo, a respiração e a mente. Em princípio, não existe nenhum problema no movimento de considerar de que forma a mente afeta o corpo; a energia flui de um nível para outro. O vento, ao soprar sobre a água, provoca as ondas e as correntes; a água move as grandes rochas com enorme facilidade. A mente as correntes; a água move grandes rochas com enorme facilidade. A mente controla a respiração; a respiração move o corpo. A mente planifica e escolhe o movimento, decidimos em que direção deve fluir a energia. Em seguida, a energia da sensação flui para fora e finalmente leva o corpo físico pelo mesmo caminho. Isto se pode comprovar perfeitamente, observando como o gato salta para o alto do parapeito de uma janela. Não há luta. Nem esforço, nem uma preparação angustiante. Ao contrário; o animal vê o parapeito, dirige-se para ele e decide saltar. Depois, fixa seu olhar no alvo, ao mesmo tempo em que se agacha, contraindo ligeiramente o corpo. Uma pessoa tem a impressão de que o espírito e a energia do gato já estão sobre o parapeito ante de ele saltar e de que apenas o planejou o salto, o corpo do gato se desencontrai como uma mola e une-se ao espírito, que já estava sobre o parapeito.





































